Azul-Violáceo, poema de Diana Pilatti finalista do Prêmio Oliva Enciso de Poesia


Aconteceu no dia 20 de agosto de 2026, na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, a cerimônia de premiação do Concurso de Poesias “Oliva Enciso”, iniciativa lançada em julho do mesmo ano, para incentivar a produção literária em Mato Grosso do Sul.

O primeiro lugar foi conquistado por Marlene Ferraz dos Santos, com o poema “Roseiras desabrocham no inverno”. Soraia Aparecida Roques Pereira ficou em segundo lugar com “Sensibilidade”, enquanto Diana Pilatti conquistou a terceira colocação com “Azul-violáceo”.

Saiba mais detalhes sobre a cerimônia de premiação no site da Academia Sul-mato-grossense de Letras.

Leia agora o poema “Azul-violáceo”, de Diana Pilatti.


   Azul-Violáceo

   As patas-de-vaca já estão floridas.
   Ao longo da calçada, no velho centro da cidade,
   elas resistem, brancas, lilases, róseas.

   Pequenos paradoxos perfumados e silenciosos.

   Seu movimento adocicado ao vento
   chama as pequenas jataís,
   minúsculas constelações douradas
   a polinizar novamente a esperança invisível.

   Parece que estamos a passear com Florbela por uma avenida qualquer
   … mas ainda é julho e deste lado do hemisfério, minhas amorosidades são outras.

   Sempre… sempre seco!
   As cores teimam e surgem,
   resistindo ao tempo incompassivo e à humanidade hostil.

   Os ipês também já estão floridos.
   As maritacas inauguram o dia em festa
   e com seus alicates vão estourando as pequenas bolhas de néctar,
   bordando um tapete branco sobre o asfalto ainda frio.

   Verdadeiras tricoteiras de amanheceres… louvaria o velho poeta, se ainda fosse vivo.

   Uma breve inveja sinestésica me assola.
   Eu, tão pequena e sem asas, pouco posso provar destes sabores.

   Se eu fosse Baudelaire, talvez fizesse um verso simbolista
   alegremente palatável
   sobre um jacarandá-mimoso e seu efêmero azul-violáceo…

   Mas sou só eu
   cantarolando o cerrado minhas eflorescências, presa à mandala do destino.
   E como quem acorda de um transe
                          r e s p i r o  f u n d o
   junto os cacos deste breve devaneio rosê
   e teimo
   inconformada engrenagem.

   Lua de Sangue
   Pseudônimo de Diana Pilatti, utilizado na ocasião do concurso.


Mais informações sobre o Prêmio Oliva Enciso de Poesia disponíveis no site oficial da Academia Sul-mato-grossense de Letras.

Imagem: Flor pata-de-vaca (Bauhinia sp.) em azul-violeta com abelha-jataí. Imagem criada por Diana Pilatti com inteligência artificial, 2026.

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